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sexta-feira, 11 de junho de 2021

POESIA DO LIVRO GRATIDÃO ÀS NOSSAS RAÍZES - OIAPOQUE


UM CANTINHO A PARTE

Uma grande cobra um dia chorou

E o rio se formou.

A população ali reluziu,

E logo a cidade se constituiu.

De fato, tem densas matas,

Diversos rios,

Não tem tanto desenvolvimento,

Mas foi isso que me construiu.

 A cidade daqueles que querem descanso...

Uns chegam para ficar,

E outros vão para não voltar.

 Aqui pode ser seu inferno ou paraíso como lar.

Nem todos são para Oiapoque...

Mas Oiapoque é para todos.

Autora: Monalisa Vilhena dos Santos Costa. Poesia extraída do livro Gratidão Às Nossas Raízes, página 61.

domingo, 6 de junho de 2021

SOU EU GUERREIRO NATIVO

Sou Eu Guerreiro Nativo

“Sou... sou mesmo índio!
...
Não tenho medo de ser quem sou,
Não ligo para o chamado “racismo”.
Sou bom em Arco e Flecha,
Mas não significa que não posso 
Outras coisas fazer,
Tenho orgulho de ser bom em pontaria.
...
Sou Índio sou guerreiro,
Vivo a Caçar!
...
A noite chega de repente!
Sentamos ao redor da fogueira,
Fazemos nossas danças 
E rituais,
Simplesmente a noite inteira.
...
Meu ritual também é sagrado.”

O texto acima foi uma Junção minha de Fragmentos extraídos (intactos) das poesias encontradas no livro - Histórias que ainda não foram contadas – de alunos da Escola Joaquim Caetano da Silva.

Poesia Sou Eu. Autores: Arthur Gomes da Silva e Anne Karoline P. Silva. Página 123.

Poesia Guerreiro Nativo. Autor: Everton Wendel de Souza Alves. Página 134.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

A Morada dos Anjos - Oiapoque

A Morada dos Anjos
 
Existe um caminho que nos leva a morada dos anjos. Não é um caminho acessível, mas se um dos guias se dispuser a levá-lo, certamente irás e voltarás em segurança. Sobre o caminho não posso entrar em detalhes, porém posso falar sobre algumas coisas que vi.

Lá os anjos cantam, dançam e choram (sobre o choro não falarei agora, mas antecipo que o choro de um anjo é muito diferente do humano, aquele lamento seguido de intensas lágrimas? Não, não...). A harmonia com que eles cantam é assombroso, não entendia nenhuma das palavras com os ouvidos de homem, embora meu coração compreendesse tudo.

Os movimentos executados enquanto dançavam, deixariam qualquer ser da terra deslumbrado, com tamanha a simetria de seus corpos e exibições em sentido horário e anti-horário. Fiquei tão impactado com aquilo que em determinado momento me ocorreu que:

_ AH MEU DEUS! O que está acontecendo?

De repente, um sentimento muito forte se apossou de mim, me fazendo tombar desconcertante ao chão. Não conseguia me mover e nem falar, apenas sentia aquela carga bombardeando meu coração, e percorrendo por todo o meu corpo. O guia ao ver a minha aflição veio ao meu encontro no chão e sussurrou no meu ouvido algo que eu compreendia somente com o coração:

__Não permitas que ele te domine.

E me encarando, enquanto eu ainda estava confuso, continuou dizendo sem pronunciar palavra alguma:

_Você precisa dominar o medo, do contrário, não conseguirá ir mais adiante. Entenda, nós conhecemos muito bem a tua estrutura. Mas você precisa aceitar, que te preservamos para este momento. Levanta, há muito o que precisa ver.


Sussurros - Mr. Gués.

sábado, 19 de outubro de 2019

ACHADOS DE UM GRIMÓRIO



A maior punição que você pode receber como fruto de seus pecados, é a volta à condição natural ao seu nascimento, e o que por hora tenho simplesmente chamado de a Inexistência apenas.

Eu acredito no inferno como um evento futuro, mas desconfio do entendimento dos primeiros homens de fé, e como doutrinariamente é ensinado na atualidade. Tipo, não acredito mais na sua característica eterna (para todo o sempre), e me pergunto se esse ensinamento mais agrada nossos egos (pobres mortais, mesmo debaixo de uma eleição não por merecimento, se julgam mais aptos do que aqueles, talvez por sua aparência ou pior por sua caminhada...) do que realmente satisfaça Aquele que está por trás de tudo.

E se há algo que mais temo hoje, mais do que o inferno, mais do que a morte (ou pior da morte sem antes atingir nosso potencial ou nossos ideais cobiçados, que é assustador também) é não existir novamente, ainda mais depois de ter experimentado da existência, as nossas histórias, nossas emoções, cada momento bom vivido. Eu temo isso, pois é muito possível acontecer. A morte é algo assombroso sem dúvida, mas por hora ela somente atingirá seu aspecto físico, mas você continuará através de sua alma, seu espírito. Mas a condição da inexistência é a última etapa reservada para a nossa história.

O inferno cumprirá o seu propósito, e quando isso acontecer ele será enrolado como um rolo e será mais uma das coisas jogada no mar do esquecimento, para nunca mais ser lembrado, nunca mais voltar a existir.

Oiapoque, AP.

domingo, 13 de outubro de 2019

SOBRE NOSSAS CABEÇAS


Eu estou na Avenida Karipunas próximo a famigerada feira da fumaça. É um dia ensolarado qualquer, após as estações chuvosas do primeiro semestre do ano. Estou no meu habitat natural, enfrente a casa dos meus pais.


Tudo parecia normal, até que num determinado momento, fui surpreendido por um acontecimento nunca visto antes. Infestando o nosso céu, vejo vários objetos voadores caindo sobre as nossas cabeças. Aviões de todos os tamanhos e formatos, helicópteros, algumas aeronaves espaciais e satélites, vejo também alguns objetos que não consigo identificar, me parecendo ser alguns daqueles primeiros projetos espaciais da NASA.


E um detalhe chamou atenção, a forma como eles caiam e a direção. Caiam em diagonal, na direção do rio Oiapoque, alguns caiam nas montanhas do território guianense. Uns rodopiando, outros enfumaçados. Vi um satélite enorme, e um avião também, pois estava bem próximo de colidirem. Vi um helicóptero que parecia ser militar, caindo como se tivesse sido abatido. Quando percebo que mais iam surgindo, viro de costas para o rio olhando para o alto, e mais deles vinham caindo. Sem reação alguma só consigo contemplar aquilo.


Mas não se engane, pois a visão não era de guerra, de conflitos no céu. Não havia desespero ou gritaria. Não verdade eu não conseguia ouvir nada. Não era um cenário de horror. Talvez tenha ficado tão impactado pelo que via, que a minha audição diminuiu para que a minha visão ficasse mais aguçada, e ver com exatidão o que tinha que ser visto... O despertador do celular toca e me acorda. Todo ensopado levanto da cama, dou um tempo para que o resto do corpo acorde para acompanhar o cérebro. E nisso fico tentando processar e assimilar novas informações do mesmo sonho tido pela centésima vez.

domingo, 10 de agosto de 2014

LENDAS OIAPOQUENSE

Olá moçada!! Sejam bem-vindos ao blog. Esse post será sobre algumas de várias lendas do nosso município.

Antes gostaria de dizer que lenda é lenda, ou seja, uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos.

Não se espera encontrar muita coerência nessas histórias, mas o fato mais importante a se destacar é que muito nasceram ouvindo essas histórias assim como outras. E todas, exceto a do Cavalo Branco, podem ser encontrados no livro Martinica Ontem da Professora Rosemary Costa, encontrado em algumas lojas do Oiapoque.

Tive que fazer algumas mudanças, em função da ortografia, mas tentei ser o mais fiel possível daquilo que está escrito no livro. A partir da página 75, as lendas tiveram colaboração da professora Terezinha Maciel Feitosa. Quem conhece as professoras acima citado, reconhecem o profissionalismo de ambas, sendo as minhas professoras no Ensino Fundamental, dando assim certa credibilidade as lendas abaixo.

Então, espero que gostem do que irão ler. As imagens são ilustrativas, não sendo encontradas no livro. No mais, muito obrigado por acessar a blog.




A LAVADEIRA


Os antigos contam que, existia na cidade um casal muito apaixonado, que de vez em quando ia lavar roupa na pedra da lavadeira, como era chamada uma pedra grande que tem abaixo da morna.


Esse casal, de vez em quando, iam lavar roupa nesta pedra. Pois já estavam acostumados, assim com outros também.

Num certo dia, seu marido passou da hora de ir buscá-la. Como já era de costume, a levava pela manhã e buscava quase no final da tarde.

Quando ele chegou ao local do encontro, não havia mais ninguém, sua linda esposa já não estava mais lá. Dizem que ela foi encantada. Pois até hoje, nunca mais apareceu.

Algumas pessoas pensam que, alguém a levou em seu barco para Caiena (Capital da Guiana Francesa) Dizendo:

_Sai dessa vida! Vem morar comigo que eu te dou uma vida melhor.


Quem vai saber!!

Tudo indica que ela tenha conhecido um novo amor, ou seja, o Ricardão a arrastou consigo para bem longe.

Rsrsrs...isso soou engraçado.




O CAIXÃO


Antigamente, as pessoas falavam que um Caixão saía do Rio Oiapoque e subia a AV Barão do Rio Branco até a Igreja Nossa Senhora das Graças, para fazer a comunidade sentir medo e não sair de casa após as 18 horas.


E sendo assim, ninguém saía nas ruas nesse horário com medo de encontrar o tal caixão.

Mas, alguns bêbados sempre falavam:
_Um dia ainda vamos ver o que tem dentro desse caixão.

As pessoas mais antigas, diziam que ninguém podia bulir (Mexer, Inquietar, Aborrecer ou Tocar) aquele caixão, pois nele existia alguma coisa de muito ruim, que ainda ia acontecer a todos que aqui moravam.

Mas, alguns pescadores que vieram da vigia não obedeceram as regras ditadas pelos antigos, e encheram a cara para criar coragem e foram ver o que tinha no caixão, antes dele entrar na igreja.

E assim aconteceu. Quando os mesmos foram rumo ao caixão se aproximando para tocar-lhe, a porta se abriu e saiu batendo neles caindo no chão, e eles saíram correndo. Mas, correram tanto que até hoje nunca mais quiseram saber o que tinha no caixão.

Essa lenda com o tempo desapareceu.

Alguns contam que, o delegado da cidade, se aproveitando de um trágico acidente ocorrido com alguns garimpeiros que morreram no garimpo, hoje chamado de Vila Brasil. Acidente esse em que os corpos dos garimpeiros estavam sendo trazidos para o Oiapoque, mas que infelizmente alagaram-se na cachoeira aonde alguns caixões se perderam vindo parar na frente da cidade.

Então, juntando o útil ao agradável, o delegado não querendo ninguém nas ruas depois das 18:00 horas, usou essa estratégia do caixão para meter medo nas pessoas, que funcionou por algum tempo, até ser descoberto.

Mas que delegado de má-fé rsrs.




A LENDA DA MANDIOCA


Numa tribo de índios Tupis, a muitos anos atrás, nasceu uma linda indiazinha que recebeu o nome de Mani.


Mani cresceu fraquinha, quase não se alimentava e passava a maior parte do tempo deitada em uma rede.

Todos os dias, Mani recebia muitas visitas, pois estavam muito preocupados com seu estado de saúde.

O Pajé fez bruxarias para salvar Mani, mas não adiantou nada.


Mani morreu e foi enterrada ao lado da Oca em que moravam seus pais. Os pais de Mani inconformados com a morte de sua indiazinha, regavam o túmulo todos os dias e depois de algum tempo, nasceu ali uma linda plantinha.

Era uma planta forte e viçosa!

Passado algum tempo, os pais de Mani resolveram cavar no lugar onde a planta tinha nascido e encontraram umas raízes grossas da cor da terra, arrancaram as raízes. Ao quebrar uma delas, viu em seu interior uma polpa como a linda cor de Mani. Sua mãe cheia de alegria, exclamou!!

_ É Mani-Oca! É Mani-Oca.


E, desde aquele dia, a planta que nasceu no túmulo de Mani, ao lado da oca, passou a ser chamada por toda a comunidade de Mani-Oca, que em português significa Mandioca.

Até hoje a Mandioca é um dos principais alimentos do nosso indígena e até mesmo de nós, brasileiros.




A LENDA DO RIO OIAPOQUE


Os índios mais antigos costumavam contar a seus filhos e netos, uma lenda que aprenderam com seus antepassados. Trata-se do nascimento do Rio Oiapoque.

A lenda é a seguinte. Há muitos e muitos anos, numa aldeia, o povo passava fome porque a caça já estava escasseando e as árvores morriam por falta de chuva. Crianças adoeciam e os mais velhos, alquebrados pelas dificuldades, começavam a morrer.

Certo dia uma índia grávida chamada Adjaci, vendo que seu curumim certamente morreria de fome se nascesse em meio aquela miséria. Resolveu fugir da aldeia e procurar um lugar melhor para que pudesse ter sua cria.


Dias depois, longe de tudo, a indiazinha sentiu saudades do seu povo e começou a chorar, pedindo a Tupã que a transformasse numa cobra muito grande, para que pudesse andar pelas matas a procura de outro local onde pudesse ser construida a aldeia. Tupã, compadecido pelo ato de coragem, fez o que lhe foi pedido.

E foi assim que por meses, aquelas imensa cobra vagou em busca de algum lugar onde houvesse comida e água em abundância. Ela era tão imensa, que por onde passava deixava grandes sulcos na terra.


Um dia a índia transformada em cobra encontrou um vale muito bonito, com muita água, frutas e caça em abundância, voltando para avisar seus irmãos da tribo sobre o ocorrido. Era tanta a felicidade, que se esqueceu de pedir a Tupã que desfizesse o encantamento.

Bem próximo da aldeia, Adjaci sentiu as dores do parto e teve sua cria ali mesmo, no matão. Os índios vendo aquilo, mataram a criança, imaginando que fosse bruxaria. Adjaci ficou furiosa, mas não quis atacar seus irmãos da tribo.

Sentida com a morte da filha começou a chorar, e era um pranto tão sentido, tão violento, que as lágrimas, em cascata preencheram os sulcos deixados por ela, transformando-os em rio.


Adjaci não quis mais voltar a ser gente. Mergulhou nas águas e adormeceu no fundo do rio. Os índios garantem que na noite de lua cheia, nas águas se formam grandes rebujos. É Adjaci, transformada em cobra, suspirando pela falta da filha.

E quando ela chora, as águas voltam a subir de tal maneira, que alagam as ilhas próximas.

Por isso o lugar é chamado de Oiapoque, que na mitologia indígena significa rio da cobra grande.




A LENDA DA COBRA GRANDE


Certo dia, uma senhora estava trabalhando, ficou com muita sede e foi até o rio beber água, após tomar bastante líquido, sentia uma dor fortíssima em seu ventre, e ali mesmo deu a luz a uma cobra.

Seu primeiro desejo era de matá-lo mas foi aconselhar-se com o curador, o velho Pajé o lançou no rio. E lá se criou.

A cobra grande era um moço encantado, que gostava dos animais. O mesmo não gostava quando os pescadores iam pescar, ou seja, matar os peixes. Algumas noites ele deixava a sua pele, a casca de cobra na beira do rio e vinha visitar sua mãe a quem pedia encarecidamente que o desencantasse.
Antes do amanhecer, logo depois do cantar do galo, tinha que voltar a ser cobra. Era preciso que alguém lançasse umas gotas de leite na boca da cobra e desse um corte na cauda para sair sangue, assim desencantaria o moço.

Um dia sua mãe cansada de tanto pedir para que alguém ajudasse seu filho. Encontrou em Clevelândia um soldado corajoso, e fez-lhe o pedido.

 O soldado levou o leite e o sabre. A cobra era de meter medo, mas o soldado não teve medo. Afinal, estava armado. Atirou o leite na boca da cobra e com o sabre, abriu-lhe o corte. O sangue jorrou e o moço desencantou-se.

Acabou-se a Cobra Grande, que tanto medo trazia para os moradores do grande Rio Oiapoque, e por quem sua mãe chorou tanto, mas tanto querendo vê-lo gente e não um moço encantado.





A LENDA DO AÇAÍ

Há muito tempo na tribo dos Caiapós, teve uma grande seca, a comida estava acabando e os índios estavam morrendo de fome, porém a população da tribo aumentava cada vez mais.

O cacique Tupi avisou que, naquele dia em diante, toda e qualquer criança que nascesse morreria, pois do contrário a tribo desapareceria.

Iaçá, filha caçula do cacique Tupi, ficou grávida e escondeu sua gravidez durante os meses consecutivos na esperança de poder ficar com o filho.

Mas , antes de Iaçá dar a luz, Jacira e Jandira deram a luz a duas lindas meninas. O Cacique, por cima dos lamentos e amargura das mães as matou.

Iaçá deu a luz a um lindo menino na floresta e lá ficou durante sete dias e noites. Após os sete dias voltou para a tribo sem a criança. Trouxe a criança depois de um mês, e apresentou ao pai e a tribo, pedindo-lhes para que o filho ficasse na tribo, mas o pai por ser Cacique, falou no meio da oca:

_ Há luas atrás eu disse que toda e qualquer criança que nascesse, morreria. Assim como morreram as filhas de Jandira e Jacira, o mesmo farei com o filho de Iaçá.

Iaçá implorou ao pai e ao Deus Tupã que deixasse seu filho vivo, mas não foi atendida. E seu pai matou seu filho Tubiraçá.

Iaçá chorou por vários dias a morte de seu filho. No sétimo dia, após a morte do menino, Iaçá começou a ouvir choro de criança no lugar onde o filho havia morrido, mas não tinha criança alguma.

Até que um dia, ouvindo o choro de criança, pediu ao deus Tupã que deixasse seu filho vivo, e Tupã compadecido, atendeu a seu pedido. Iaçá, na ponta da maloca, viu uma grande luz e saiu. Para sua surpresa, no meio da oca lá estava seu filho.

Iaçá carregou a criança e agradeceu a Tupã por devolve-lo, porém quando percebeu, seus pés haviam se transformados em raízes. Ao levantar o filho, seu corpo transformou-se em uma bela palmeira e seu filho em um belo e lindo fruto.


Pela manhã, todos da tribo viram aquela bela árvore e o Cacique Tupi, agradeceu pelo belo fruto, mas o Pajé avisou: 

_Esta é Iaçá, que se juntou ao filho e nos deu um novo alimento.

Então a palmeira ficou conhecida como açaí, que é Iaçá.




O CAVALO BRANCO


Essa não é uma lenda, mas foi um fato ocorrido comigo na minha adolescência no Oiapoque. Numa certa noite cuidando dos meus irmãos mais novos, enquanto nossos pais saíram pra se divertir.

Eles acordam por volta da meia noite chorando, perguntando pela nossa mãe, tento acalmá-los dizendo que eles já estavam chegando, conforto-os dizendo que iria abrir a janela para ver se estavam chegando, nesse exato momento uma cavalo branco passa correndo a rua escura de casa, que era uma ladeira.

No momento que vi a cena fiquei meio estarrecido com a coincidência, ainda olho para trás dele pra ver se entendia o que fizera correr daquele jeito, muito veloz.

O cavalo era branco, corria sem nenhuma sela, como se fosse uma cavalo livre sem dono. Um cavalo reluzente no meio da escuridão, que era há uns 12 anos. Quando ele chega no topo da ladeira, preste a sumir, ele consegue achar meu olhar naquela escuridão toda, foi um momento assombroso, era como se ele soubesse que eu estava ali, que o observara correr desde o começo da ladeira e seu olhar soou como proposital, como se mandasse um recado.

No mesmo instante domado pelo medo, me recolho para o quarto fechando a janela imediatamente, pedindo aos meus irmãos silêncio porque algo acontecera. Quando abri a janela novamente, não esperava encontrá-lo, mas tentar entender ou ver algo que explicasse o motivo de um cavalo branco passar correndo daquele jeito naquele mesmo instante.

Porém nada foi visto, e ainda hoje tento encontrar alguém que tivesse observado um tal cavalo branco passar correndo por ai altas horas da noite. Ainda não consigo esquecer tal cavalo, dei aquela situação um significado espiritual, um piscar de Deus como sinal de sua proteção e favor. E quando vejo tudo que passei até hoje e ainda continuar correndo a corrida da vida, desfrutando dos favores do Senhor só consolido ainda mais tal significado.